OS POLONESES E
SEUS DESCENDENTES NO BRASIL:
ESBOÇO
HISTÓRICO E SITUAÇÃO ATUAL DA COLÔNIA POLONESA NO BRASIL
Zdzisław MALCZEWSKI SChr
O Brasil
possui uma superfície de 8.547 mil km2 e uma população de 174,4 milhões de
habitantes (2001). O contingente exato da colônia polonesa no país é
desconhecido, pois não existem a esse respeito dados estatísticos exatos.
Alguns autores estimam o grupo étnico polonês em 800 mil, outros em 1% da
população do país, o que equivaleria a mais de um milhão e meio de pessoas. Os
líderes polônicos apresentam até um número maior, que atingiria 2 a 3 milhões
de pessoas.
Na primeira
metade do século XVII aportaram no Brasil alguns poloneses contratados pela
Companhia das Índias Ocidentais, fundada pelos holandeses, a qual lutava contra
os portugueses e espanhóis pela manutenção de uma colônia no litoral brasileiro
(nos atuais estados da Bahia e de Pernambuco). Esses poloneses eram Cristóvão
Arciszewski, Sigismundo Szkop e Ladislau Constante Wituski.
O pe.
Adalberto Męciński é considerado como um dos primeiros missionários
poloneses que vieram ao Brasil. Em documentos portugueses ele aparece como Albertus
de Polonia, que em 1631 desembarcou no país por acaso. A embarcação em que
ele viajava de Lisboa a Goa foi desviado do seu curso por uma forte tempestade
que se desencadeou no Atlântico. Durante a permanência dessa embarcação no
litoral brasileiro, Męciński fez uma descrição e um mapa de
Pernambuco.
O período da
maior afluência de poloneses ao Brasil foi o século XIX. Em 1839 veio ao país o
médico Pedro Luís Napoleão Czerniewicz. Ele foi um dos fundadores da Academia
de Medicina no Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo vinham pesquisadores, viajantes,
pessoas em busca de aventuras, mas sobretudo de melhores condições de vida no
novo continente. No grupo dos pesquisadores poloneses podem ser
mencionados Paulo Edmundo Strzelecki (1835), Inácio Domeyko (1838), José
Warszewicz (1850), Constante Helski (1881), e no grupo dos engenheiros
poloneses, que vieram ao Brasil no contexto de um contrato com a França:
Bronislau Rymkiewicz, Alexandre Brodowski e Luís Malajski. Eles trabalharam na
construção da ferrovia São Paulo–Santos, e posteriormente em Manaus, na
Amazônia, onde construíram um porto fluvial. Em homenagem a eles, a cidade de
Manaus dedicou-lhes um monumento, e o Estado de São Paulo distinguiu Brodowski
dando o seu nome a uma das suas cidades. José Siemiradzki (1881, 1891, 1895)
envolveu-se em pesquisas de geologia e da história da imigração polonesa. Em
1891 contou com a companhia do engenheiro Vitoldo Łaźniewski, Antônio
Hempel e João Sztolcman, geógrafo e pesquisador de minerais. Em 1891 realizou
uma série de viagens por diversas regiões do Brasil o pe. Sigismundo
Chełminski, um eminente líder social e literato. Nos anos 1895-1897 esteve
na Argentina, no Paraguai e no Brasil Estanislau Kłobukowski, economista,
fundador e redator da “Revista da emigração”. Após a queda de levantes na Polônia,
vieram ao Brasil refugiados políticos, em razão da intensificada
perseguição dos ocupantes. A esse grupo pertencem Roberto Trompowski, Pedro
Luís Napoleão Czerniewicz, André e Estanislau Przewodowski, o conde Floriano
Rozwadowski e o engenheiro Floriano żurowski,
que foi o primeiro polonês a obter a cidadania brasileira. Encontramos também
sobrenomes poloneses entre os soldados alemães que lutavam no exército
brasileiro. É digno de menção o nome de Estanislau Kruszyński.
Em meio aos
emigrados poloneses surgem diversos líderes da emigração, literatos,
jornalistas, religiosos e professores. Vindo ao Brasil, uns desejavam
proporcionar ajuda aos emigrados, ao passo que outros (José Siemiradzki, Adolfo
Dygasiński – 1890, João Wolański –1896) desejavam conhecer as
condições de vida no país e familiarizar-se com a atividade das autoridades
brasileiras que forneciam terra aos colonos poloneses.
Em meio ao
variado grupo dos imigrantes poloneses encontramos também o clero. Como
um dos primeiros representantes desse grupo é considerado o pe. Antônio
Zieliński, que juntamente com Sebastião Edmundo Woś Saporski
organizou a migração dos colonos poloneses em Santa Catarina. Em 1875 vieram os
padres Mariano Gizyński, Luís Przytarski, João Adamowski, e mais tarde João
Kominek, Boleslau Bayer, João Rzymełko, José Anusz e outros. A primeira
congregação religiosa que iniciou a sua atividade em território brasileiro no
final do século XIX e no início do século XX foi a dos padres verbitas, e a
seguir a dos missionários de S. Vicente de Paulo. Com o tempo vinham outras
congregações masculinas, às quais depois da II Guerra Mundial juntaram-se os
membros da Sociedade de Cristo para os Poloneses Emigrados. Das congregações
femininas, as primeiras a chegar foram as irmãs vicentinas (1904), a seguir as
da Sagrada Família (1906), e mais tarde as ursulinas, felicianas e outras
congregações. A mais jovem congregação feminina a trabalhar entre os poloneses
no Brasil é a Congregação das Missionárias de Cristo Rei para os Poloneses Emigrados
(desde 1988). Em 2006, entre os bispos brasileiros encontramos 8 de
descendência polonesa: Domingos Wi[niewski, bispo emérito da diocese de
Apucarana (Estado do Paraná); Ladislau Biernaski, bispo ordinário da
recém-criada diocese de São José dos Pinhais, nos arredores de Curitiba
(6.12.2006); Isidoro Kosinski, ordinário da diocese de Três Lagoas (Estado do Mato Grosso do Sul); Ceslau
Stanula, ordinário da diocese de Itabuna (Estado da Bahia); Agostinho Estêvão
Januszewicz, bispo ordinário emérito da diocese de Luziânia (Estado de Goiás) –
atualmente pároco em Juruá (Estado do Amazonas); João Wilk, ordinário da
diocese de Anápolis Estado de Goiás); Eduardo Zielski, ordinário da diocese de
Campo Maior (Estado de Piauí); Sérgio Krzywy, ordinário da diocese de Araçatuba
(Estado de São Paulo). Importa mencionar ainda os bispos falecidos: Inácio
Krauze, Pedro Filipak, Walmor Battú Wichrowski. Segundo dados da Comissão do
Episcopado da Polônia para assuntos missionários, no final de 2006 trabalhavam
no Brasil 326 missionários poloneses (71 padres diocesanos, 197 padres
religiosos, 57 irmãs religiosas, uma pessoa leiga). Encontramos também mais de
250 padres de descendência polonesa.
O grupo mais
numeroso de poloneses é constituído pelos colonos. O início da
colonização polonesa no Brasil ocorre na década de 70 do século XIX, ainda que
colonos poloneses tenham aparecido antes dessa data, acompanhando a onda
imigratória alemã. Eles se estabeleceram juntamente com os alemães no Estado de
Santa Catarina, na colônia Blumenau, e também no Estado do Rio Grande do Sul.
Entre os colonos alemães que se estabeleceram na Colônia Dona Francisca
(atualmente Joinville), provenientes da região de Poznań, estava presente
em 1851 a família de Jerônimo Durski. Imigrantes poloneses participaram
igualmente da colonização do Estado do Espírito Santo, ao qual em 1873 vieram
cerca de 60 famílias como cidadãos alemães provenientes da Prússia, da
Pomerânia e da Silésia (da região de Wrocław), e que juntamente com os
alemães estabeleceram-se principalmente em Santa Leopoldina e Santa Teresa.
Segundo cálculos de T. Grabski, legado polonês, em 1928 no Estado do Espírito
Santo a antiga colonização polonesa contava cerca de 2 mil pessoas. O pioneiro
e o organizador da colonização polonesa no Brasil foi Edmundo
Woś-Saporski, e por sua iniciativa imigrantes poloneses colonizaram a área
do Paraná. Em 1869 vieram 16 famílias da Alta Silésia e foram estabelecidas em
Santa Catarina. Graças a Saporski, em 1871 essas famílias migraram ao Paraná,
onde fundaram a colônia Pilarzinho, nos arredores de Curitiba. Com o tempo, em
volta da capital paranaense surgiu uma rede de núcleos poloneses, entre os
quais Abranches e Órleans. A seguir os poloneses colonizaram áreas nos Estados
de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Poucos indivíduos detinham-se nas
cidades, sobretudo no Rio de Janeiro e em São Paulo.
A imigração
econômica, que ocorreu na segunda metade do século XIX, estava relacionada com
a atividade das autoridades brasileiras, envolvidas numa ação de movimento
migratório maciço da Europa com o objetivo de povoar as áreas desabitadas,
sobretudo na parte meridional do País. Isso se relacionava com um acordo
assinado em 1830 com a Inglaterra, que previa a ilegalidade do transporte de
escravos negros da África, o que em conseqüência contribuiu para a busca de uma
nova mão-de-obra barata na Europa. A ação dos emissários do governo brasileiro
encontrou terreno fértil na Polônia, onde a perda da independência, o
sentimento da ameaça individual e coletiva, os levantes e as subseqüentes
perseguições políticas conduzidas pelas potências ocupantes, bem como a difícil
situação política no país, forçavam os poloneses à busca de segurança, de um
pedaço de terra, enfim de melhores condições de vida no exterior. Por volta de
1870 veio um grupo de poloneses da região de Gdask a Santa Leopoldina, no
Estado do Espírito Santo, de onde, após sangrentas aventuras com as
autoridades, uma parte dele fugiu para o interior do Estado, na região da
colônia Santa Isabel. Nesse mesmo tempo surgem poloneses em São Paulo e no Rio
de Janeiro. Os núcleos mais fortes surgiram no Paraná. As primeiras
organizações polonesas, fundadas em 1890, foram a Sociedade Polonesa Tadeu
Kościuszko em Curitiba e a Sociedade Polonesa Concórdia no Rio de Janeiro.
A primeira escola polonesa começou a funcionar em 1876 em Órleans.
Posteriormente surgiram outras, inclusive o Ginásio Nicolau Copérnico, fundado
em 1911 em Marechal Mallet. Até 1914 surgiram 18 publicações periódicas, entre
as quais, desde 1892, a “Gazeta Polska w Brazylii” (Jornal Polonês no Brasil) e
desde 1904 o “Polak w Brazylii” (O Polonês no Brasil). No período da I Guerra
Mundial surgiu o Comitê Polonês Central no Brasil, em Curitiba, que mantinha
contato com o Comitê Nacional Polonês em Paris. A afluência maciça de colonos
poloneses ao Brasil relacionava-se não apenas com os planos de colonização, mas
também com a abolição da escravidão no país (Lei Áurea). Sentia-se então uma
grande falta de mão-de-obra nas plantações. O governo brasileiro prometia aos
imigrantes transporte gratuito de famílias inteiras ao Brasil, além de oferecer
gratuitamente áreas de terra. Ocorreu um crescimento da afluência de imigrantes
europeus ao Brasil, e pelos portos do Rio de Janeiro e de Santos passou em 1888
uma onda de imigrantes que chegou a 131.268 pessoas. E em 1891, após a
promulgação de um conhecido decreto provisório do governo, que facilitava a
imigração, vieram ao Brasil 218.930 imigrantes. A maior intensificação da
imigração polonesa ao Brasil ocorreu nos anos 1890-1891. Era o período da
chamada “febre brasileira”. Até 1891, o número dos poloneses no Brasil não
passava de algumas dezenas de milhares. Eram emigrados da Prússia e da Galícia,
que foram estabelecidos na região de Curitiba e de São Bento. Após 1890, a
“febre brasileira” fez com que da região de Płock e de Kujawy se
deslocassem cerca de 80 mil pessoas, alguns milhares das quais morreram ou
voltaram à Polônia, 6 mil viajaram a pé de Santos até a Argentina e cerca de 60
mil estabeleceram-se nas colônias. Dentre os 63 mil imigrantes que em 1890-1891
vieram do Reino da Polônia, das áreas do além do Bug e da Galícia, pereceram
milhares de pessoas.
Ocorre uma
diminuição da onda imigratória da Polônia, para nos anos 1895-1896 intensificar-se.
Era o chamado segundo período da “febre brasileira”. Os imigrantes eram
sobretudo habitantes da então Galícia Oriental, de onde vieram 7 mil colonos.
Nos primeiros anos do século XX ocorreu o terceiro período da “febre
brasileira”. Nos anos 1897-1905 vieram 8 mil poloneses do Reino da Polônia, e
no período do dez anos seguintes, mais cerca de 24 mil pessoas. Dessas ondas
imigratorias participava o povo simples, e apenas uma pequena porcentagem era
constituída por intelectuais, professores e religiosos. Somente após a
revolução de 1905 encontra-se entre os imigrados um número maior de
intelectuais. A imigração desse período tinha muitas vezes o caráter político,
visto que desse grupo faziam parte jovens poloneses que haviam participado do movimento
revolucionário, ou ainda pesoas que fugiam do serviço militar no exército
imperial russo. A eclosão da I Gerra Mundial de 1914 suavizou a terceira onda
imigratória. Calcula-se que até 1914 viajaram ao Brasil mais de 100 mil
imigrantes poloneses. Essa imigração era principalmente constituída de colonos.
Eram colonos que buscavam a propriedade da terra, o que geralmente conseguiam.
Entre esses emigrados houve também casos de regresso à Polônia. O movimento
imigratório da República da Polônia ao Brasil começou a crescer novamente em
1919. As estatísticas polonesas estimam que nos anos 1920-1938 emigraram ao
Brasil 41,2 mil pessoas. Em grande parte tratava-se de emigrados em busca de
trabalho, entre os quais havia uma significativa porcentagem de cidadãos
poloneses de nacionalidade judia e ucraniana. Em 1920, segundo B. żabko-Potopowicz, nos três Estados
do Brasil meridional (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), residiam 200
mil poloneses, com exclusão dos nascidos no Brasil, cidadãos brasileiros. A
crise econômica de 1930 contribuiu para a restrição da política imigratória do
governo brasileiro e provocou a publicação do decreto de 16.7.1934, limitando a
entrada de imigrantes, que devia restringir-se a 2% do número dos imigrantes
que haviam fixado residência no Brasil nos últimos cinqüenta anos. Essa lei foi
mantida no artigo 151 da Constituição brasileira de 1937 e confirmada pelo
presidente Getúlio Vargas em 4.5.1938.
Os decretos do
governo brasileiro defendiam os interesses do país, opondo-se principalmente às
crescentes influências alemãs. Nesse sentido, o decreto de 26.8.1939 continha
muitas ordens e proibições, a obrigação de levar as escolas estrangeiras a uma
plena adaptação ao ambiente nacional dos brasileiros de descendência
estrangeira, do ensino da língua portuguesa, da história e da geografia do
Brasil, bem como a participação dos cidadãos em associações patrióticas, com o
objetivo de formar uma única consciência nacional. Recomendava também a
incorporação ao exército do maior número possível de filhos de estrangeiros,
especialmente em unidades militares que se encontrassem fora da região da sua
residência. O decreto proibia a utilização de línguas estrangeiras em locais
públicos, nos quartéis e durante o serviço militar. Ordenava também que os
sermões nas igrejas fossem pronunciados em língua portuguesa. Em 1937 (antes da
nacionalização), nos Estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo,
Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul os imigrantes poloneses possuíam 293
escolas leigas, 37 escolas religiosas (242 escolas registradas e 88 escolas não
registradas). Nessas escolas ensinavam 287 professores poloneses. Participavam
do ensino em língua polonesa 9.316 crianças. Em outras escolas estudavam 4.636
crianças. Não tinham acesso ao ensino 5.132 crianças. A atividade social dos
imigrantes poloneses é também testemunhada pelo número de 491 sociedades (334
delas mantinham escolas polonesas), dentre as quais 266 pertenciam à União
Central dos Poloneses, fundada em 1930; 43 à Associação Católica das Escolas
Polonesas “Oświata” (Educação) e 43 eram consideradas como “selvagens”,
isto é, não pertencentes a associações.
A
imprensa polonesa contava mais de vinte títulos. Os decretos de nacionalização
do presidente Getúlio Vargas, dirigidos sobretudo contra as escolas e a
imprensa das minorias nacionais, causaram um grande prejuízo aos emigrados
poloneses no Brasil. Em conseguência da realização dessas ordens, foram
fechadas 335 sociedades polonesas, que funcionavam como filiais das centrais curitibanas.
Em 1938 foram fechadas 164 escolas polonesas no Estado do Paraná e 36 no Estado
de Santa Catarina. A rede escolar polonesa no Rio Grande do Sul, que contava
mais de 100 escolas, foi salva, preservando-se no programa de ensino dessas
escolas o antigo status quo. Com o
tempo, também ali o rigor da lei introduzida limitou a atividade desses
núcleos. No Estado de Santa Catarina foi expedida uma ordem no sentido de que
fossem eliminadas dos monumentos e túmulos as inscrições em língua estrangeira.
No Paraná foram retirados os nomes estrangeiros de fábricas, oficinas, lojas,
etc. Foi introduzida uma nova nomenclatura, em consequência do que a unidade
familiar foi perturbada: os poloneses nascidos no Brasil passavam por
brasileiros, e os procedentes da Polônia eram considerados estrangeiros. A
nacionalização da sociedade brasileira foi a responsável pela destruição de
meio século de patrimônio espiritual e material dos poloneses, bem como pela
interrupção da influência educativa das escolas polonesas sobre os núcleos
poloneses espalhados pelo interior. Além disso, a geração jovem foi privada do
acesso à escola e na maioria dos casos, por falta de uma escola brasileira, foi
exposta à volta ao analfabetismo. Com o tempo, as rigorosas determinações
governamentais tendentes à nacionalização passaram a ser cada vez menos
observadas.
Com a colosão
da II Guerra Mundial, os poloneses residentes no Brasil envolveram-se na ação
desenvolvida pelo Comitê de Ajuda às Vitimas da Guerra na Polônia, cujo
presidente era o vice-presidente do Brasil, Fernando Mello Vianna, e que surgiu
no Rio de Janeiro sob o patrocínio da Cruz Vermalha Brasileira. Depois que o
Brasil ingressou na guerra, esse Comitê começou a organizar a ajuda à Polônia.
Foi criada a União dos Voluntários Poloneses da América Latina (sob a
presidência de M. Breowicz) e foi aberta a Casa do Soldado Polonês no Rio de
Janeiro, onde permaneciam os voluntários poloneses que aguardavam o transporte
para a Europa. No total, a colônia polonesa forneceu 580 voluntários para as
Forças Armadas Polonesas no Ocidente. Também nas fileiras do Corpo
Expedicionário Brasileiro lutaram muitos poloneses. No decorrer das operações
bélicas nos anos 1939-1942 veio ao Brasil um grupo de algumas centenas de
refugiados poloneses da Espanha e de Portugal, na maioria intelectuais, entre
os quais o ator Zbigniew Ziembiński, o poeta Juiliano Tuwim e o pianista
Alexandre Sienkiewicz. Muitos desses refugiados mudaram-se posteriormente a
países como o Chile, os Estadus Unidos, a Argentiba ou o Canadá. Após o término
dasd operações bélicas veio ao Brasil uma nova onda imigratória. Esses
imigrantes recrutavam-se dentre os destacamentos militares poloneses
desmobilizados no Ocidente ou dentre os ex-prisioneiros dos campos de
concentração. Preponderavam entre eles os intelectuais e os operários
qualificados, razão pela qual rapidamente encontraram trabalho, em grande parte
graças à ajuda de poloneses já residentes no país. Os novos imigrantes
estabeleceram-se sobretudo nas cidades e influenciaram a atividade
organizacional polonesa que ressurgiu após a guerra.
De meados de
1947 a meados de 1948 vieram ao Brasil 1.481 “desalojados” poloneses, e em
março de 1950 eles eram 7.397. Os grupos de imigrantes que vieram ao Brasil
durante a II Guerra Mundial, bem como após o seu término, eram na grande
maioria partidários do governo da República da Polônia no exílio. Por
iniciativa e sob a liderança do duque Olgierd Czartoryski, em 1947 surgiu no
Rio de Janeiro a União Cultural dos Poloneses, com o objetivo de unificar toda
a atividade polônica em território brasileiro, com o simultâneo combate ao
comunismo e apoio ao governo polonês de Londres. O primeiro presidente da UCP
foi Boleslau Nowicki, e o primeiro secretário-geral – Olgierd Czartoryski, que
exerceu essa função até 1952. Os membros da UCP, bem como outros dirigentes da
imigração do pós-guerra no Brasil, seguiam a doutrina “do não-reconhecimento do
Estado polonês e do reconhecimento unicamente da nação”. Essa doutrina foi
aceita pela maioria das organizações polônicas.
Nos primeiros
anos após a II Guerra Mundial vieram de 10 a 20 mil poloneses.A grande maioria
dessa onda imigratória dirigiu-se às cidades, e somente um percentual
insignificante estabeleceu-se na agricultura. Graças a essa imigração, aumentou
entre os poloneses estabelecidos no Brasil a porcentagem de pessoas instruídas,
possuidoras de qualificações profissionais mais elevadas. Essa imigração
transformou-se no motor principal da atividade das organizações já existentes e
contribuiu para a reativação de algumas sociedades já em decadência. Na
prática, juntamente com essa onda imigratória encerrou-se o processo da
afluência de poloneses ao Brasil.
Após a eleição
do cardeal polonês Carlos Wojtyla para pontífice da Igreja católica, observa-se
um despertar do espírito polonês entre os descendentes dos imigrantes, surge a
busca das raízes da própria origem, a apreciação da cultura, das tradições, dos
costumes do país dos antepassados. Na vida organizacional surgiu a tendência da
criação de federações. Em 1989 surgiu em Curitiba a “Polbras”, e em 1990 a
“Braspol”. Em 1996 foi criado em Curitiba um Centro de Cultura Polônica. A
colônia brasileira está representada na União das Associações e Organizações
Polônicas da América Latina (USOPAL, fundada em 1993) e foi a organizadora de
Congressos da Comunidade Polônica Latino-Americana em Curitiba (1996 e 2000).
O único
periódico atualmente publicado pela colônia polonesa no Brasil é a revista de
estudos polono-brasileiros “Projeções”, editado desde 1999 como publicação
semestral. Essa publicação é financiada sobretudo pela Associação “Wspólnota
Polska” (Comunidade Polonesa).
Em 2006
pertenciam à federação da “Braspol” 333 núcleos, espalhados por 16 Estados da
federação brasileira.
A distribuição
das comunidades polônicas no território desse imenso país apresenta-se da
seguinte forma:
O Estado
brasileiro do Espírito Santo situa-se ao norte do eEstado do Rio de Janeiro. A
leste limita-se com o oceano Atlântico, a oeste com o Estado de Minas Gerais e
ao norte com o Estado da Bahia.
Os primeiros
poloneses vieram a esse Estado em 1870 (1873?) num total de 60 famílias, como
cidadãos alemães procedentes da Prússia, da Pomerânia e da Silésia (região de
Wrocław). O primeiro transporte de imigrantes poloneses estabeleceu-se,
juntamente com os alemães, em Santa Leopoldina e Santa Teresa. Os transportes
seguintes, já menos numerosos, dirigiam-se principalmente para o norte, até o
rio Doce.
Por volta de
1870 veio ao Estado do Espírito Santo, a Santa Leopoldina, um grupo de
poloneses da região de Gdańsk. Após sangrentos incidentes com as
autoridades, uma parte deles fugiu para o interior do Estado, para a região da
colônia Santa Isabel.
Por sua vez
uma outra fonte informa que os imigrantes poloneses vieram a esse Estado em
1873, num grupo de cerca de 60 famílias, como cidadãos alemães procedentes da
Prússia, da Pomerânia e da Silésia (região de Wrocław). O primeiro
transporte de poloneses estabeleceu-se, juntamente com os alemães, principalmente
em Santa Leopoldina e Santa Teresa. Os transportes seguintes, já menos
numerosos, dirigiram-se principalmente para o norte, até o rio Doce.
Fontes
brasileiras informam que a partir de 1876 iniciou-se a colonização do vale do
rio 25 de Julho, situada na parte inferior da serra de Santa Teresa, na direção
de rio Doce. Inicialmente os contingentes de imigrantes italianos, alemães,
suíços, e no ano seguinte também poloneses, ocuparam as terras que lhes foram
fornecidas ao longo do rio 5 de Novembro, dando início à colônia chamada
Patrimônio dos Polacos ou Santo Antônio dos Polacos.
Imigrantes
poloneses fundaram também os núcleos de Águia Branca, Monte Claro e Cachoeira.
Em 1927 a colônia polonesa no Estado do Espírito Santo contava cerca de 2 mil pessoas.
Em 1928 vieram
32 famílias polonesas (150 pessoas) e estabeleceram-se na foz do rio Claro e em
São José. Nos anos 1930-1931 a Liga Marítima e Colonial estava colonizando a
região de Águia Branca, onde se estabeleceram 100 famílias polonesas. Os poloneses
colonizaram também Jaboticaba e São Gabriel da Palha. Na passagem do ano 1929
para 1930 o pe. Inácio Posadzy visitou as seguintes colônias polonesas: Águia
Branca, Patrimônio dos Polacos, Córrego da Anta, Santa Maria, Baunilha e
Triunfo. Ainda em 1939 imigrantes poloneses se estabeleciam na colônia Águia
Branca. Infelizmente, em razões das condições difíceis, alguns voltaram à
Polônia, enquanto outros permaneceram.Também após a II Guerra Mundial algumas
famílias voltaram à Polônia.
Em 1969 São Gabriel
da Palha tornou-se município e como seu primeiro prefeito foi eleito Eduardo
Glazar, vindo da Polônia em 1930. Segundo dados relativos ao ano de 1937,
resulta que nesse Estado, da mesma forma que em outros Estados brasileiros, os
poloneses possuíam as suas próprias escolas. Também nesse Estado existia uma
secretaria da União Cultural dos Poloneses no Brasil, que surgiu em 1947 no Rio
de Janeiro. Em 1976 a Navegação Marítima Polonesa abriu na capital do Estado,
em Vitória, a sua representação. A capital do Estado é também a sede do cônsul
honorário, Adão Czartoryski.
No que diz
respeito à vinda dos primeiros imigrantes poloneses ao Estado do Espírito
Santo, convém assinalar que nas fontes polonesas encontramos duas datas, que
fornecemos no texto: 1870 e 1873.
Na área do
Estado do Espírito Santo encontramos filiais da Braspol em Águia Branca, Santo
Antônio do Canaã (município de Santa Teresa), São Gabriel da Palha e Vitória –
capital do Estado.
Jerônimo Durski,
músico e professor de profissão, veio ao Brasil em 1851 e estabeleceu-se com
sua família na Colônia Dona Francisca, atualmente Joinville. Não tendo
encontrão entre os alemães condições apropriadas para o desempenho da sua
profissão, mudou-se para o Paraná por volta de 1863 e fixou residência com a
família em Vila do Príncipe, atualmente Lapa. Jerônimo Durski é considerado o
primeiro polonês a fixar residência no Paraná. Em setembro de 1871, graças aos
empenhos do pe. Antônio Zieliński e de Sebastião Edmundo Woś
Waporski, 32 famílias polonesas (164 pessoas) estabeleceram-se em Pilarzinho,
na região de Curitiba. Assim teve início a colonização polonesa no Estado do
Paraná. Sebastião Edmundo Woś Saporski empreendeu muitas iniciativas em
prol da colonização polonesa nesse Estado. Foi chamado “Pai da colonização
polonesa no Paraná”. A partir de então, cada vez mais os poloneses começaram a
estabelecer-se no Paraná. No decorrer de sete anos o número dos poloneses subiu
a 3.750 pessoas. No total, até 1880 vieram ao Paraná 6.530 imigrantes
poloneses. Nos anos 1890-1894 vieram ao Paraná 12 mil imigrantes poloneses. De
acordo com alguns dados estatísticos, até a eclosão da I Guerra Mundial
residiam no Paraná 60 mil poloneses. A parte meridional do Estado era colonizada
principalmente por imigrantes poloneses, que se estabeleceram também na parte
setentrional do Estado. No período de entre-guerras surgiram nessa região duas
colônias polonesas: Warta e Gleba Orle. Nessas colônias estabeleceram-se
imigrantes vindos da Polônia edescendentes dos poloneses dos Estados
meridionais do Brasil. Em 1938, no Estado do Paraná o número dos poloneses
chegava a 100 mil pessoas. Nos anos setenta do século passado, no Estado do
Paraná existiam cerca de 500 colônias polonesas compactas e residiam cerca de
307 mil pessoas.
Atualmente, no
Paraná, a população de descendência polonesa constitui cerca de 10% da
população residente nesse Estado (de cerca de 8,5 milhões de habitantes).
No Estado do
Paraná encontramos os seguintes núcleos da Braspol: Palmitos, Pavão (município
de Agudos do Sul), Lamenha Grande (município de Almirante Tamandaré), Altamira
do Paraná, Ampere, Anahy, Andirá, Antonina, Antônio Olinto, Apucarana,
Arapongas, Arapoti, Calógeras, Capão Bonito (município de Arapoti), Araucária,
Campestre, Colônia Cristina, Formigueiro, São Miguel (município de Araucária),
Assis Cateaubriand, Balsa Nova, Pavão (município de Balsa Nova), São Sebastião
do Paraíso (município de Bom Sucesso do Sul), Braganey, Cafelândia, Cambará,
Campina da Lagoa, Campo do Tenente, Bugre, Colônia Dom Pedro II, Colônia
Figueiredo, Colônia Rodrigues, Fazendinha (município de Campo Largo), Campo
Largo, Campo Magro, Campo Mourão, Cândido de Abreu, Colônia Morska Wola, Teresa
Cristina, Três Bicos, Ubazinho Dois (município de Cândido de Abreu), Cantagalo,
Capanema, Carambeí, Tronco (município de Carambeí), Cascavel, São João do Oeste
(município de Cascavel), Castro, Colônia Iapó – Ponte de Zinco, Colônia
Maracanã (município de Castro), Catanduvas, Contenda, São Pedro (município de
Corbélia), Coronel Vivida, Cruz Machado, Santana (município de Cruz Machado),
Cruzeiro do Iguaçu, Cruzeiro do Oeste, São Pedro dos Poloneses (município de
Dois Vizinhos), Rio Vitória (município de Enéas Marques), Espigão Alto do Iguaçu,
Farol, Faxinal, Figueira, Foz do Iguaçu, Francisco Beltrão, Secção Progresso
(município de Francisco Beltrão), Goioerê, Guaíra, Guapirama, Guaraniaçu,
Guarapuava, Morro Grande (município de Guarapuava), Guaratuba, Amorinha
(município de Ibaiti), Ibaiti, Lontrão (município de Imbituva), Arroio Grande,
Colônia Adelaide, Colônia Taió, Santaria (município de Ipiranga), Ipiranga,
Guamirim (município de Irati), Irati, Iretama, Itambaracá, Itapejara, Salto
Grande (município de Itapejara do Oeste), Ivaí, Colônia Pesqueiro (município de
Jaguariaíva), Jaguariaíva, Janiópolis, Japira, Carajá (município de Jesuítas),
Joaquim Távora, São Miguel (município de Joaquim Távora), Juranda, Segunda
Faxinal (município de Lapa), Lapa, Laranjeiras do Sul, Londrina, Warta (município
de Londrina), Margarida (município de Marechal Cândido Rondon), Mallet,
Mamborê, Mandirituba, Manuel Ribas, Maringá, Mariópolis, Marmeleiro, Marquinho,
Matelândia, Mato Rico, Palmital 43 (município de Mato Rico), Medianeira, União
da Vitória (município de Missal), Nova Aurora, Buriti (município de Nova
Laranjeiras), Nova Laranjeiras, Nova Prata do Iguaçu, Palmas, Boqueirão
(município de Palmas), Colônia Maciel, Colônia Santa Bárbara, Papagaios Novos,
Passo do Tio Paulo (município de Palmeira), Palmeira, Palmital, Pato Bragado,
Pato Branco, Paula Freitas, Paulo Frontin, Pérola do Oeste, Piên, Pinhalão,
Martelo (município de Piraí do Sul), Piraí do Sul, Piraquara, Pitanga, Santa
Teresinha (município de Planalto), Colônia Guaraúna, Colônia Trindade, Sabará,
Taquari (município de Ponta Grossa), Jaciaba (município de Prudentópolis),
Prudentópolis, Quatiguá, Quatro Barras, Quedas do Iguaçu, Quitandinha, Realeza,
Rebouças, Barra do Encontro, Sabugueiro (município de Reserva), Reserva,
Ribeirão Claro, Rio Azul, Rio Negro, Roncador, Sabáudia, Salto do Lontra, Águas
dos 30 Alqueires (município de Santa Cecília do Pavão), São Clemente (município
de Santa Helena), Santa Helena, Santa Isabel do Oeste, Santa Teresinha do
Itaipu, Santana do Itararé, Santo Antônio da Platina, São Jerônimo da Serra,
Bromados, Coxilhão das Ameixeiras, Coxilhão de Santa Rosa, Coxilhão do Meio
(município de São João do Triunfo), Fazenda da Grama (município de São José da
Boa Vista), São José da Boa Vista, Colônia Murici, Malhadas (município de São
José dos Pinhais), São José dos Pinhais, São Mateus do Sul, Aurora do Iguaçu
(município de São Miguel do Iguaçu), São Pedro do Iguaçu, Sarandi, Sengés,
Siqueira Campos, Teixeira Soares, Telêmaco Borba, Tijucas do Sul, Tomazina,
Tupãssi, Turvo, Ubiratã, Barro Preto (município de Ventania), Ventania, Verê,
Virmond, Wenceslau Braz.
Considera-se
que Sebastião Edmundo Wo[ Saporski foi um dos primeiro poloneses que fixaram
residência em Curitiba, porquanto viajou a essa cidade com o objetivo de
arrumar um lugar para os poloneses que deviam migrar de Santa Catarina. Em
setembro de 1871, 32 famílias polonesas (164 pessoas) estabeleceram-se em
Pilarzinho, nos arredores de Curitiba. Justamente graças aos empenhos do pe.
Antônio Zieliński e de Saporski esse grupo de imigrantes poloneses,
procedentes de Opole, mudou-se da região de Blumenau e Brusque, em Santa
Catarina, a Pilarzinho. No dia 28 de novembro daquele ano a câmara municipal de
Curitiba forneceu-lhes lotes de terra previamente escolhidos e medidos por
Saporski. No dia 15 de junho de 1890 foi fundada a primeira organização
polonesa em Curitiba e conseqüentemente no Brasil. Essa organização era a
Sociedade Tadeu Kościuszko. Faziam parte da primeira diretoria da
sociedade: presidente – Adão Stachowski, vice-presidente – Edmundo Sebastião
Wos Saporski, secretário – Inácio Waberski, bibliotecário – Aleixo Waberski.
Até a eclosão da I Guerra Mundial surgiu em volta de Curitiba um anel bastante
compacto formado por colônias polonesas. Em 1972 o pe. João Pitoń CM
informava que eram 35 mil as pessoas de descendência polonesa residentes em
Curitiba, nos bairros de Abranches, Pilarzinho, Santa Cândida, Barreirinha,
Cachoeira, Mercês, Portão, Novo Mundo, Vila Feliz, Seminário, Órleans, Atuba,
Bacacheri, Vila Tingüi e outras. Se admitirmos que até há pouco tempo o Brasil
dobrava o número de seus habitantes a cada 17 anos, com esse fundamento podemos
afirmar que em Curitiba residem mais de 87 mil pessoas de descendência
polonesa, embora alguns líderes polônicos elevem esse número até a 300 mil.
Nos anos
setenta do século passado funcionavam em Curitiba as seguintes organizações
polônicas: União Juventus (herdeira da União dos Atiradores), Sociedade Tadeu
Kościuszko, Associação Beneficente-Cultural dos Poloneses no Brasil - a
antiga União Central dos Poloneses no Brasil.
Nos dias 5 e 6
de julho de 1980 Curitiba teve a honra de hospedar pela primeira vez em sua
história um papa, João Paulo II. No primeiro dia da sua visita o Santo Padre
encontrou-se com a comunidade polônica brasileira no estádio “Couto Pereira”.
Por sua vez nos dias 24-27 e 29 de fevereiro de 1984 esteve em visita pastoral,
tendo-se encontrado com a colônia polonesa da cidade e também visitando algumas
colônias dos arredores, o cardeal José Glemp – primaz da Polônia. Lech Walesa,
o primeiro presidente da Polônia a fazer uma visita oficial ao Brasil, também
esteve em Curitiba no dia 21 de fevereiro de 1995. Além das visitas de caráter
oficial, realizou-se um encontro com a colônia polonesa no Parque João Paulo
II.
Em 1989 surgiu
em Curitiba a Federação das Associações Polônicas do Brasil – Polbras, que
tinha por objetivo apoiar as organizações polonesas e de origem polonesa na
manutenção da cultura polonesa e polônica. Foi escolhido presidente da Polbras
o sr. Anísio Oleksy. Neste ponto vale a pena assinalar que a base de apoio da
Polbras é a Sociedade União Juventus, cujas origens remontam a 1898. Em 1990
surgiu a Federação Braspol, com o objetivo de organizar e unir as comunidades
polônicas existentes em todo o Brasil. Desde 1993 a Braspol publica o jornal
bimensal “Kurier”, em língua polonesa e portuguesa. Nos últimos anos, porém, a
publicação tem aparecido de forma bastante irregular. O fundador e o presidente
da Braspol é o engenheiro Rizio Wachowicz.
No dia 3 de
maio de 1991 foi fundado o Instituto Brasileiro de Cultura Polônica, com o
objetivo primordial de divulgar a cultura e as tradições polonesas. O primeiro
presidente do instituto, pertencente à Polbras, foi o prof. Mariano Kawka. Nos
dias 13 a 16 de março de 1996 realizou-se em Curitiba o II Congresso Polônico
da América Latina, organizado pela Polbras. O congresso teve como presidente do
comitê organizacional Anísio Oleksy.
Posteriormente,
nos dias 6 a 9 de abril de 2000, realizou-se em Curitiba o V Congresso Polônico
da América Latina, desta vez organizado pela Braspol e presidido por Rizio
Wachowicz.
Dentre as
diversas promoções religiosas e culturais organizadas anualmente pela colônia
polonesa em Curitiba importa mencionar sobretudo a cerimônia pascal da bênção
dos alimentos (święconka),
que se realiza no Sábado Santo no Parque João Paulo II. A “święconka” e os eventos
culturais que a acompanham foram inseridos no calendário oficial de eventos
turísticos no Estado do Paraná, publicado pelo governo estadual.
Em
Curitiba encontra-se o Parque João Paulo
II e muitas ruas dedicadas a personalidades de destaque de descendência polonesa.
Dentre as organizações polônicas ativas em Curitiba, devem ser mencionadas a
Sociedade Tadeu Kościuszko e a Sociedade
de Marechal Piłsudski. A atividade polônica da Sociedade União
Juventus, tão rica no passado, atualmente mostra-se praticamente invisível.
Além disso, em Curitiba tem a sua sede o Consulado Geral da República da
Polônia, bem como a Missão Católica Polonesa.
Em
Curitiba desenvolveu-se no passado uma rica atividade editorial polônica. Já em
1892 era publicado o jornal “Gazeta Polska w Brazylii”. Na capital do Paraná
era publicado igualmente o “Nowy Lud” (publicado a partir de 4.9.1990 como
herdeiro do “Lud” – que circulou desde 28.9.1921, quando uma Sociedade Editora
assumiu o que havia restado do “Polak w Brazylii”). Infelizmente, alguns anos
depois a publicação do “Nowy Lud” foi interrompida. No decorrer da história
polonesa nessa cidade, foram editados mais de cem periódicos diversos.
Atualmente a
única publicação polônica, editada em língua portuguesa no Brasil, é a revista
curitibana “Projeções – Revista de estudos polono-brasileiros”. O periódico é
publicado semestralmente e apresenta a realidade da colônia polonesa brasileira
e a problemática dos contatos polono-brasileiros. A revista é publicada desde
1999 é o fruto da cooperação entre o Centro de Estudos Latino-Americanos
(CESLA) da Universidade de Varsóvia e a Província da Sociedade de Cristo na
América Latina.
Em Curitiba
existem filiais da Braspol nos seguintes bairros: Abranches, Barreirinha, Campo
Comprido, Capão Raso, Órleans, Santa Cândida, Vila São Jorge, Vila São Pedro.
É difícil estabelecer com exatidão a data do
estabelecimento dos primeiros poloneses no Rio de Janeiro. Com base nas fontes
que nos são acessíveis, podemos afirmar que já no ano de 1840 vem àquela cidade
o médico Pedro Czerniewicz. Observa K. Głuchowski que por volta de 1870
veio ao Brasil um grupo de poloneses da região de Gdańsk e estabeleceu-se
no Estado do Espírito Santo. Segundo o mencionado autor, foi justamente nesse
período que surgiram os poloneses no Rio de Janeiro. Tratava-se de algumas
pessoas que se haviam separado dos grupos maiores que se dirigiam ao Estado do
Paraná. Em 1874 chegou ao Rio de Janeiro Adão Stachowski, um dos pioneiros da
colônia polonesa de Curitiba.
No período da “febre brasileira”, nos anos
1890-91, um bom número de poloneses esteve de passagem pelo Rio de Janeiro, que
na época era a capital e o principal porto do país. Para muitos imigrantes da
Polônia, a cidade do Rio de Janeiro era o ponto de partida para a continuação
da viagem – para as plantações de café nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo
ou Minas Gerais, e sobretudo para os Estados meridionais, onde lhes eram
entregues terras para colonizar. Aos imigrantes eram fornecidos lotes geralmente
cobertos de mata virgem, que deviam ser transformados em campos de cultivo. Em
grande parte aqueles dentre os poloneses que decidiram estabelecer-se no Rio de
Janeiro eram pessoas que haviam fugido das colônias. Eram pessoas que muitas
vezes não conseguiam adaptar-se às diferentes condições de cultivo da terra, ao
clima e outras dificuldades relacionadas com os primeiros momentos da adaptação
à nova realidade. Os imigrantes que não se fixavam nas colônias ou as
abandonavam geralmente buscavam trabalho nas cidades. Uma outra categoria de
poloneses que ali se estabeleceram na época era constituída pelos fugitivos das
fazendas de café, que, apesar da febre amarela que grassava na cidade, vinham
ao Rio de Janeiro. O motivo da sua fuga era o fato de não serem capazes de se
adaptar às condições do trabalho pesado no clima quente. Demonstravam também
insatisfação em razão dos baixos salários e por serem explorados pelos
fazendeiros. Certa parte dos imigrantes vindos ao Rio de Janeiro – nesse
período – era constituída pela população não agrícola do país, e uma outra, por
aqueles que se estabeleciam num centro urbano pela primeira vez.
Conforme informa A. Hempel, em 1892 na antiga
capital do Brasil residiam de
Um empreendimento importante foi a realização de
uma estatística dos poloneses residentes no Rio de Janeiro, realizada em 1921.
Segundo os dados coletados – que foram enviados à Legação Polonesa – resulta
que a colônia polonesa contava então 427 pessoas.
No início de 1924 havia no Rio de Janeiro uma
escola ambulante noturna, fundada em 1923 e que atendia a 40 crianças
polonesas. Esse número – de certa forma – confirma como era pequeno o grupo
dospoloneses residentes naquela cidade.
No período de entre-guerras (em 1929 e na
passagem dos anos 1930-31), por recomendação do cardeal Augusto Hlond, visitou
os cúcleos poloneses no Brasil o pe. Inácio Posadzy. Fruto dessas duas viagens
foram os artigos publicados na imprenas polonesa e o livro “Na senda dos
peregrinos”, que foi publicado em 5 edições. No mencionado livro o pe. Posadzy
não apenas caracterizou a colônia polonesa, mas forneceu igualmente o seu
número. Segundo ele, residiam no Rio de Janeiro apenas mil poloneses. Esse
número estaria próximo dos 1.200 poloneses que residiriam no Estado do Rio de
Janeiro, e que em 1930 foi fornecido peloencarregado de negócios S. Dluski ao
Ministério das Relações Estrangeiras em Varsóvia. No entanto, segundo dados
procedentes de 1933, coletados pela União Central dos Poloneses no Brasil,
residiam no Rio de Janeiro 1.500 imigrantes poloneses.
Na volta do Congresso Eucarístico Internacional,
que se realizou em Buenos Aires, na Argentina, em 1934, o bispo Teodoro Kubina
visitou os núcleos poloneses no Brasil. No final da sua estada no país, veio ao
Rio de Janeiro e encontrou-se com os poloneses ali residentes. Segundo o bispo
Kubina, a sociedade polonesa que vivia na cidade – durante a sua visita – não
era numerosa. Os poloneses residiam dispersos por essa grande cidade, e essa
dispersão tonava difícil uma vida social mais intensa. Naquele tempo – como
observa o bispo Kubina – elesnão possuíam o seu padre nem o seu professor. A
colônia polonesa baseava a sua atividade na Sociedade Polonesa, que, apesar das
condições difíceis em que se encontrava, mantinha entre os poloneses os
sentimentos de polonismo. A sociedade imigratória tinha um forte apoio no
ministro Tadeu Grabowski, que a envolvia de paternal proteção. É digna de nota
a observação do bispo Kubina – relacionada com a colônia polonesa no Rio de
Janeiro - de que não havia nela, como infelizmente ocorria em outros lugares,
nenhum tipo de disputas ou brigas.
Nos primeiros anos da II Guerra Mundial
(1939-1942) começam a chegar ao Brasil os refugiados poloneses. Dentro de um
grupo que contava várias centenas de pessoas – a maioria delas intelectuais –
encontramos pessoas que se detiveram no Rio de Janeiro. Algumas dentre elas
permaneceram definitivamente, ao passo que outras viajaram para a Argentina,
Chile, Canadá ou Estados Unidos. Alguns autores fornecem o número de cerca de
Após o término da II Guerra Mundial uma nova onda
imigratória se desloca ao Brasil. Informa-se que vieram então ao Brasil de
Os dados sobre o número de cidadãos poloneses
residentes no Rio de Janeiro após a II Guerra mundial variam de
O legado (embaixador) W. Wrzosek fornece o número
de
Vale a pena observar que, quando após o término
da II Guerra Mundial os imigrantes poloneses vinham ao Brasil, podia ser
observado também o fenômeno contrário, embora não ocorresse em grandes
proporções. Naquela época apresentaram-se no Rio de Janeiro, para reemigração:
40 homens, 23 mulheres e 48 crianças com a idade de até 18 anos, ou seja, um
total de 111 pessoas. Esses emigrados haviam-se convencido, em pouco tempo, do
desacerto da sua escolha e por isso optaram pela reemigração.
Poder-se-ia indagar a respeito do número que
representa hoje a colônia polonesa no Rio de Janeiro. A resposta seria
praticamente impossível, e as razões para isso são diversas O número dos
poloneses no Rio de Janeiro sempre tem sido instável. É muito difícil manter um
registro exato numa cidade tão grande como o Rio de Janeiro. Nenhuma das
organizações existentes dispôs-se a realizar um censo dos poloneses ali
residentes. Além disso, não existe uma exigência legal estrita no sentido de
que os estrangeiros residentes no Brasil, ao se mudarem de um Estado para
outro, façam disso um registro na polícia federal. O Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE) informa que em 1980 residiam no Rio de Janeiro
1.495 poloneses, ou seja, aqueles que eram classificados como estrangeiros.
Vale a pena assinalar que naquele mesmo ano – segundo os dados da mesma
instituição – residiam no Rio 11.961 poloneses. Estatisticamente, portanto, os
poloneses residentes no Rio de Janeiro constituíam 12,5% de todos os poloneses
residentes no Brasil. Naturalmente não se pode esquecer também do fato de que
certo número de poloneses adotou a cidadania brasileira; eles, portanto, não
figuram nas estatísticas brasileiras como poloneses. Dessa forma, o número
exato dos poloneses residentes no Rio de Janeiro permanecerá desconhecido e,
caso algum número seja fornecido, será um número presumido e inexato. O número
presumido dos poloneses residentes no Rio de Janeiro é calculado – pelos
líderes polônicos – em 3-
No período inicial do surgimento dos poloneses no
Rio de Janeiro (isto é, por volta de 1870 e nos anos da “febre brasileira”), o
elemento que se estabelecia era constituído por pessoas de origem camponesa. Os
refugiados poloneses residentes nas cidades brasileiras – no mencionado período
– trabalhavam geralmente como operários. Esse grupo operário provinha
exclusivamente da zona de ocupação russa.
A. Hempel, que visitou o Rio de Janeiro em julho
de 1892, encontrou entre os imigrantes poloneses que residiam no Rio de Janeiro
artesãos como: alfaiates, carpinteiros, torneiros. Eles trabalhavam na parte
insalubre da cidade, visto que era ali que se encontravam as oficinas em que
trabalhavam. Por sua vez os imigrantes não qualificados, e entre eles os
camponeses acostumados ao trabalho na terra, trabalhavam nos subúrbios como
pedreiros.
No círculo da imigração polonesa, onde
predominava o elemento operário-artesão, encontramos também pessoas do
comércio, engenheiros, trabalhadores intelectuais e proprietários de
estabelecimentos industriais. Estes faziam parte da camada dos ricos. Foi essa
situação que encontraram no período de entre-guerras o padre Inácio Posadzy e o
bispo Teodoro Kubina, que visitaram os núcleos poloneses naquela cidade. Esse
estado de coisas perdurou até a eclosão da II Guerra Mundial.
Sintetizando, constata-se que até a eclosão da II
Guerra Mundial predominavam na colônia polonesa do Rio de Janeiro as pessoas de
classe inferior e média. O status social da colônia dependia em grande parte do
grau de instrução possuída e da profissão exercida.
Nos primeiros anos da II Guerra Mundial (1939-42)
veio ao Brasil um grupo de refugiados poloneses, contanto algumas centenas de
pesoas, na maioria intelectuais. Entre esses refugiados que se detiveram no Rio
de Janeiro encontrava-se, por exemplo, o poeta polonês Julian Tuwim. Os ecos da
sua estada nessa cidade podem ser encontrados nas “Flores polonesas”. Nesse grupo
encontramos representantes do exército, da aristocracia, dos antigos círculos
governamentais ou ainda ricos comerciantes judeus. Geralmente esses imigrantes
congregavam-se em volta da antiga Legação, inserindo-se na vida organizacional
dos poloneses locais. Visto que eles não podiam aceitar a situação existente na
Polônia, demonstravam uma postura hostil diante dos representantes diplomáticos
da Polônia do pós-guerra. Essa hostilidade se exteriorizava na publicação da
revista “Fakty” (Fatos) ou ainda na atividade
organizacional da Sociedade Polônia, do Círculo das Polonesas e da União
Cultural dos Poloneses no Brasil, surgida em 1947, que tinha como objetivo
principal o combate ao comunismo. Diante das circunstâncias favoráveis, os
refugiados poloneses que residiam no Rio de Janeiro conseguiram estabelecer
boas relações com as autoridades políticas brasileiras e com os representantes
da vida comercial, em razão do que puderam chegar a grandes patrimônios,
sobrepujando em opulência a antiga imigração e atingindo um nível de vida médio
ou superior ao médio. A aristocratia polonesa era bem vista nos numerosos
encontros sociais brasileiros e era convidada para diversas recepções
diplomáticas.
Um aspecto característico é que no período da II Guerra
Mundial estabelecem-se representantes da aristocracia polonesa. Provavelmente
um dos primeiros foi o conde Florian Rozwadowski. (Não mencionamos aqui os
aristocratas que estiveram no Rio de Janeiro apenas de passagem). No museu
Nacional do Rio de Janeiro, na introdução do “Registro dos estrangeiros” não
aparece o nome de Rozwadowski, mas o seu título: conde. Além disso, no período
de entre-guerras os primeiros representantes diplomáticos da Polônia foram
aristocratas: o conde Ksawery Orłowski e o conde Czesław
Pruszyński. Entre os refugiados políticos que vieram com o navio “Angola”
no dia 5 de agosto de 1940 ao Rio de Janeiro, encontravam-se o duque Roman
Sanguszko e o duque Olgierd Czartoryski em companha de sua esposa Matilde
(arquiduquesa austríaca, filha do duque Carlos) e de dois filhos. Encontramos
ainda os seguintes representantes da aristocracia polonesa: a duquesa Jolanta
Radziwiłł, a duquesa Karolina Czartoryski, o duque Constante
Czartoryski, o duque Olgierd Czartoryski, a condessa Dolly Krasicka, a condessa
Isabel Zamoyski, a condessa Helena Tarnowski, a condessa Maria Tarnowski, o
conde André Tarnowski e o conde André Łoś. Essa aristocracia
participou ativamente das iniciativas em prol da ajuda à Polônia.
Igualmente no período da II Guerra Mundial
estabelecem-se no Rio de Janeiro alguns religiosos poloneses. Neste ponto
importa assinalar que no período anterior os padres provenientes da Polônia
permaneciam nessa cidade apenas temporariamente. Um dos primeiros foi o pe.
Antônio Zieliński, que veio ao Rio em 1867 e ali permaneceu por alguns
meses. Em razão da sua amizade com Conde d’Eu – genro do Imperador Dom Pedro II
– ele possuía uma grande influência na corte imperial. No período da II Guerra
Mundial vieram ao Rio de Janeiro os padres: Francisco Firtz, Tadeu Kotowski,
Paulo Tuchowicz, Paulo Siwek SJ e Tadeu Wyżykowski. A pastoral polonesa
permanente só foi estabelecida no início de 1951.
Após a II Guerra Mundial aportou no Brasil uma
nova onda de imigração polonesa, que se estabeleceu sobretudo em São Paulo e no
Rio de Janeiro. Em grande parte era constituída por ex-soldados das Forças
Armadas Polonesas no Ocidente e por refugiados da guerra. A afluência desse
novo elemento imigratório contribuiu para uma mudança mais profunda ainda do perfil
social da colônia polonesa do Rio de Janeiro. Desse grupo de refugiados fazia
parte um grande número de oficiais, engenheiros, juristas. Eram pessoas com
formação superior, que se distinguiam por mais amplas aspirações na vida.
Convém assinalar, ainda, que no período do pós-guerra uma pequena porcentagem
da imigração polonesa urbana era constituída de artesãos e operários, que, por
constituírem um elemento mais enérgico que a antiga imigração agrícola,
conseguiram fugir das difíceis condições do interior para se estabelecer na
cidade.
No que diz respeito à situação atual da colônia
polonesa no Rio, constata-se que não existem dados detalhados que apresentem a
sua realidade. Diante de tal estado de coisas, podemos nos basear apenas na
observação pessoal. O local de residência desses poloneses, bem como a
observação do seu estilo de vida autoriza o autor a afirmar que eles fazem
parte da classe média, algumas vezes até da classe rica. Ocasionalmente podem
ser encontradas igualmente pessoas que enfrentam dificuldades materiais.
O nível da colônia polonesa do Rio pode ser
comprovado também pela simpatia e amizade que lhe são demonstradas pelos
brasileiros. Baseando-se em observações
próprias, o autor pode enfatizar com toda a convicção que não ocorrem casos de
tratamento incorreto dos poloneses por parte da população local. Muito pelo
contrário, por toda a parte eles se deparam com demonstrações de simpatia. É
preciso afirmar ainda que no decorrer das últimas décadas os brasileiros têm
apresentado aos poloneses muitas provas da sua simpatia. Por outro lado,
deve-se reconhecer que a coletividade polonesa não tem criado problemas para
essa sociedade tão hospitaleira. Pelo seu trabalho, pelo seu envolvimento em
prol do bem do país e da nação brasileira, os poloneses granjearam o
reconhecimento e a gratidão da população local. Uma prova disso é que aos
poloneses têm sido outorgados diversos títulos de cidadãos honorários da cidade
do Rio de Janeiro. Há um bom número de poloneses que nos últimos anos foram
honrados com essa honrosa distinção.
Um outro detalhe que comprova o nível da colônia
polonesa do Rio de Janeiro é a igreja polonesa, que se encontra no bairro do
Flamengo, e que é considerada a parte rica da cidade. Esse santuário é
freqüentado por brasileiros que fazem parte da elite local. Entre os fiéis
brasileiros que participam das celebrações realizadas para eles em língua
portuguesa encontramos o ex-ministro da justiça Armando Falcão, representantes
da diplomacia brasileira (dois embaixadores), professores universitários, bem
como outros representantes ricos e influentes da sociedade local. Não podem ser
esquecidos os altos dignitários militares brasileiros que participam das
comemorações do Dia do Soldado Polonês.
A observação própria da colônia polonesa do Rio de Janeiro permite a
constatação do seguinte fato: o elemento polonês que se estabeleceu no Rio de
Janeiro em conseqüência da borrasca da II Guerra Mundial preocupou-se com a
educação de seus filhos e em lhes assegurar uma boa posição na sociedade brasileira.
Diante desse fato, essa nova geração polônica tem assegurada uma boa posição na
sociedade em que vive. Além disso, constata-se – com base na observação pessoal
e nos resultados de uma pesquisa realizada -
que em quase todas as áreas de vida na região podem ser encontrados
poloneses e representantes da colônia polonesa. Olhando-se para a coletividade
polônica do ponto de vista brasileiro – ela ocupa uma boa posição. A maioria
dos poloneses – conforme resulta dos dados do IBGE – residem na parte meridional
da cidade, que é considerada a parte rica. Por observação própria, o autor da
presente monografia pode afirmar que não se encontram representantes da colônia
polonesa vivendo nas favelas cariocas. Por sua vez aqueles que residem na parte
norte da cidade, considerada a mais pobre, dispõem de dignas e suficientes
condições de vida.
Assim, graças às qualificações profissionais que possuem, ao rápido
domínio da língua portuguesa e às condições que lhes proporcionou o país em que
se estabeleceram, os poloneses residentes no Rio de Janeiro e os seus
descendentes alcançaram uma adequada posição social dentro da sociedade
brasileira.
Em 1852
encontramos poloneses no Rio Grande do Sul, lutando entre os soldados alemães
no 15º batalhão do exército brasileiro (tenente Nieviadomski, Karol Noack,
Barnatski). Na 6ª companhia também lutavam soldados poloneses (Parkowsky,
capitão Eduardo Stepanowski). Também no 28º batalhão de fuzileiros lutavam
poloneses (Murtki, Storek, Renek, Parkowski, Chendasiewicz). Na campanha
Farroupilha lutou o polonês Gudowski. O engenheiro Floriano żurowski, pertencente a um grupo
de emigrantes políticos, veio ao Brasil provavelmente em 1857. Trabalhou na
medição de terras no Estado do Rio Grande do Sul. Tornou-se diretor de colônia
em Santa Cruz e Santo Ângelo. É considerado como o primeiro polonês a adotar a
cidadania brasileira. Em 1886, a nordeste da capital estadual, Porto Alegre, um
grupo de imigrantes poloneses fundou as colônias Sabta Teresa e Santa Bárbara.
Eram imigrantes que alguns anos antes haviam chegado ao Estado da Bahia, mas em
razão do clima não conseguiram adaptar-se. Quase todos mudaram-se para o Rio
Grande do Sul. Nos anos 1890-1894 vieram ao Rio grande do Sul 27 mil imigrantes
polneses. A primeira organização polonesa que surgiu nesse Estado foi a
Sociedade “Polônia”, em Porto Alegre, que surgiu em 1896, graças ao empenho do
Dr. Estanislau Kłobukowski. Segundo alguns dados estatísticos, até a
eclosão da I Guerra Mundial o número de poloneses no Rio Grande do Sul chegava
a 39 mil pessoas. E em meados da década de 1920 esse número era de 61.200
pessoas. No Estado do Rio Grande do Sul surgiu uma concentração bastante grande
de colônias polonesas nas regiões de Lagoa dos Patos, Caxias, Ijuí. Em 1938 o
número dos poloneses no Estado do Rio Grande do Sul chegava a 80 mil pessoas.
Nos anos 1947-1950 estabeleceram-se nesse Estado 147 famílias polonesas, que
faziam parte de um grupo de refugiados de guerra. Em época posterior, muitos
deles viajaram aos Estados Unidos. E na década de 1970 a população de
descendência polonesa no Estado do Rio Grande do Sul chegava a 256 mil. Se
admitir-mos que – até pouco tempo – o Brasil dobrava o número de havitantes a
cada 17 anos, com base nesse cálculo podemos definir o número de pessoas de
descendência polonesa nesse Estado em cerca de 640 mil pessoas.
Na área do Rio
Grande do Sul encontramos filias da Braspol em: Alpestre, Arativa, Barão de
Cotegipe, Bento Gonçalves, Camaquã, Cândido Godói, Carlos Barbosa, Carlos
Gomes, Casca, Caxias do Sul, Centenário, Chuvisco, Cotiporã, Dois Lageados, Dom
feliciano, Erval grande, Floriano Peixoto, Getúlio Vargas, Guarani das Missões,
Ijuí, Itatiba do Sul, Marcelino Ramos, Mariana Pimentel, Mariano Moro, Muçum,
Nova Bassano, Nova Prata, Passo Fundo, Planalto, Porto Alegre – capital do
Estado, Rio Grande, Santa Rosa, Santa Teresa, Santiago, Santo Antônio da Palma,
Seberi, Três Arroios, Veranópolis, Vista Alegre do Prata.
Na área de
Santa Catarina encontramos filiais da Braspol em: Belmonte, Ribeirão das Antas
(município de Benedito Novo), Blumenau, Brusque, Caçador, Bateias de Baixo,
Corredeira (município de Campo Alegre), Canoinhas, Chapecó, Corupá, Linha
Batista (município de Criciúma), Descanso, Doutor Pedrinho, Florianópolis –
capital do Estado, Grão Pará, Indaial, Irani, Itá, Itaiópolis, Jaraguá do Sul,
Joaçaba, Joinville, Mafra, Pulador, Rio Novo, Serra Preta (município de Major
Vieira), Maravilha, Massaranduba, Mondaí, Monte Castelo, Nova Erechim, Trombudo
(município de Nova Trento), Chapadão (município de Órleans), Papanduva, Porto
União, Rio da Prata (município de Rio do Campo), Rio Negrinho, Santa Cecília,
Santa Teresinha, Cruzeiro, Rio Natal, Rio Vermelho (município e São Bento do
Sul), São Bento do Sul, São Miguel do Oeste, Sombrio, Três Barras, Xanxerê.
A cidade de
São Paulo, da mesma forma que o Rio de Janeiro, era um ponto especial pelo qual
passavam ondas de imigrantes vindos ao Brasil. Dali os imigrantes seguiam para
as plantações de café ou para as áreas de colonização situadas nos Estados
meridionais: Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul. Graças ao aumento na
produção do café, na passagem do século XIX para o XX São Paulo estava passando
por um grande desenvolvimento econômico. Em razão do progresso geral, tanto a
cidade como o Estado de São Paulo ofereciam grandes possibilidades aos
imigrantes que chegavam. Nos anos 1890-1894 vieram ao Estado de São Paulo 13
mil imigrantes poloneses. O padre Chełmicki, que chegou de Varsóvia a São
Paulo em 1892, definia o número de poloneses residentes nessa cidade em cerca
de 1.000 pessoas. Por sua vez A. Hempel, que esteve em São Paulo nesse mesmo
tempo, definia o número dos imigrantes poloneses em cerca de 600-700 pessoas.
De acordo com J. Siemiradzki, por volta de 1900 residiam em São Paulo 2.000
poloneses. As autoridades consulares polonesas estimavam que em 1928 a
coletividade polonesa em São Paulo contava cerca de 2-3 mil pessoas. Por volta
de 1930 a comunidade polonesa na cidade contava cerca de 3 mil pessoas. O padre I. Posadzy, que visitou o
Brasil nesse período, avaliava o número dos poloneses residentes em São Paulo
em cerca de 8 mil pessoas. Nos anos 1930-1940 São Paulo teve o acréscimo e 12
mil pessoas de descendência polonesa. Por ocasião da eclosão da II Guerra
Mundial, os poloneses de São Paulo começaram a organizar a ajuda para a
Polônia. Da mesma forma que em outras cidades do Brasil, também em São Paulo
surgiu uma filial do “Comitê Brasileiro de Ajuda às Vítimas da Guerra na
Polônia”. Após o término da guerra, veio ao Brasil uma nova onda de imigrantes
poloneses, que se estabeleceu principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Calcula-se que chegou a cerca de 8-9 mil pessoas. A maioria era constituída por
soldados das Forças Armadas Polonesas no Ocidente. Graças ao afluxo dessa nova
onda de imigrantes poloneses, transformou-se o perfil da comunidade polônica em
São Paulo. Até então a maioria era constituída sobretudo por operários. A nova
onda trouxe a São Paulo um grande número de intelectuais (entre os quais
engenheiros, oficiais, juristas). No final dos anos cinqüenta do século
passado, os padres salesianos poloneses calculavam o número da colônia polonesa
em cerca de 1.200 famílias. A comunidade polônica de São Paulo envolveu-se
ativamente nas comemorações do Milênio do Batismo da Polônia. Justamente nessa
cidade surgiu um os primeiros comitês das comemorações do Milênio. Para
homenagear esse aniversário, a comunidade polônica ergueu o Monumento do Milênio.
Esse monumento é uma obra dos artistas poloneses Miecislau Grabowski, Vitoldo
Reiff e Miroslau Szabuniewicz. Os salesianos poloneses documentaram as
comemorações do Milênio polonês pela publicação do “Álbum das comemorações do
Milênio da Polônia Cristã”. No Almanaque do “Lud” de 1972 encontramos a
informação de que a paróquia polonesa em São Paulo contava cerca de 3 mil
pessoas. Além desse número, o pe. J. Pitoń CM fornece o número de 17 mil
cidadãos poloneses de descendência judia. Os poloneses residiam nos bairros:
Bom Retiro, Quitaúna, Domingos de Morais, Presidente Altino, Butantã, Lapa,
Mariana. O pe. J. Pitoń CM menciona Santo André (onde residiam 108
famílias polonesas) e os núcleos poloneses em São Caetano do Sul, Utinga, Mauá,
Ribeirão Pires e Piquera-Açu.
No que diz
respeito à vida organizacional da colônia polonesa em São Paulo, constata-se
que rapidamente surgiu a primeira associação polonesa. No dia 3 de maio de1892
foi fundada a primeira organização polonesa, com o nome de “Beneficência”.Com o
tempo o nome foi mudado para “Ajuda Fraterna”. Em 1895 o nome dessa organização
mudou para “União e Concórdia”. Por volta de 1912 funcionava junto a essa
organização uma escolinha polonesa. Em 1917 os imigrantes poloneses fundaram
uma nova organização, de natureza patriótica, a “Sociedade Henrique
Sienkiewicz”. Em 1922 ocorreu a união das organizações polonesas existentes –
“União e Concórdia” e “Sociedade Henrique Sienkiewicz” – numa só associação, a
“Sociedade Polonesa”. Em março de 1927 foi possível organizar uma escola
polonesa, na qual foram formados dois grupos: para crianças mais jovens e mais
velhas. O sustento material da escola baseava-se em doações dos poloneses
locais. No final daquele ano freqüentavam a escola 100 crianças. A colônia
polonesa em São Paulo – da mesma forma que em outras regiões – vivenciou também
crises provocadas por diversos desentendimentos. Devido a isso, ocorreu uma
cisão na “Sociedade Polonesa”. Em conseqüência dessa cisão, surgiu uma nova
organização, o “Círculo de Jovens Marechal José Piłsudski”. Nos anos trinta foi fundada mais uma
organização, o “Clube Esportivo Polônia”, que contava cerca de 80 sócios. Nesse
mesmo período surgiu, sob a influência dos salesianos poloneses, a “União
Polono-Católica da Proteção de Nossa Senhora de Częstochowa”. A “União
Cultural dos Poloneses no Brasil”, surgida em 1947 no Rio de Janeiro, possuía
igualmente a sua filial em São Paulo. Em 1949 atua também nessa cidade a
“Sociedade Central dos Judeus Poloneses”. Em 1955 surgiu mais uma organização,
o “Clube 44”, que adotou como objetivo a propagação em alto nível da vida
cultural polonesa. Nos anos setenta do
século passado existiam as seguintes organizações polônicas em São Paulo: a
“Sociedade Frederico Chopin”, o “Clube 44”, a “Associação dos Combatentes
Poloneses” e a “Associação dos Ex-Aviadores Poloneses”.
Atualmente
(2007), atuam na capital do Estado as seguintes organizações: o “Clube 44”, a
“Sociedade Brasileira de Cultura Polonesa José Pilsudski” e a “Associação dos
Combatentes Poloneses”. Desde 1996 a capelania polonesa é dirigida pelos padres
da Sociedade de Cristo para os Poloneses Emigrados. Anteriormente a assistência
pastoral da colônia polonesa estava a cargo dos padres salesianos poloneses.
Em São Paulo
existe o Consulado Geral da Polônia e o Escritório Comercial do Conselheiro da
Embaixada da Polônia.
Não existem
dados a respeito do número de pessoas que constituem a colônia polonesa.
Estima-se a coletividade polônica nessa maior cidade brasileira em algumas
dezenas de milhares de pessoas.
Na área de São
Paulo encontramos filiais da Braspol em Itaporanga, Itararé, Paineiras
(município de Ourinhos), Osasco e São Paulo – capital do Estado.
Atualmente
(2007), os descendentes dos imigrantes poloneses não residem apenas nos Estados
acima mencionados, para onde no passado emigraram os poloneses. O atual
movimento migratório brasileiro, que contribui para a transposição de
indivíduos e famílias, influencia também a mobilidade dos representantes da
comunidade polônica local. Graças às filiais existentes da Braspol, temos um
discernimento real de onde se encontram comunidades polônicas. Além dos Estados
acima mencionados, encontramos também descendentes de imigrantes poloneses nos
seguintes estados da Federação Brasileira:
DISTRITO
FEDERAL:
Brasília – capital do País.
ALAGOAS:
Maceió – capital do Estado.
BAHIA:
Luís Eduardo Magalhães (município de
Barreiras), Salvador (capital do Estado), Povoado de Roda Velha (município de
Desidério).
GOIÁS:
Goiânia – capital do Estado.
MINAS
GERAIS:
Belo Horizonte – capital do Estado.
MATO
GROSSO DO SUL:
Campo Grande (capital do Estado),
Coxim, Dourados, Eldorado, Maracaju, Mundo Novo.
MATO
GROSSO:
Cuiabá (capital do Estado), Nova
Mutum, Rondonópolis, Sinop, Primavera (município de Sorriso), Sorriso.
PARÁ:
Belém – capital do Estado.
PERNAMBUCO:
Recife – capital do Estado.
RONDÔNIA:
Arquemes, Cocal, Ji-Paraná, Porto
Velho (capital do Estado), Vilhena.
O detalhamento
acima das colônias, vilas e cidades onde encontramos comunidades polônicas não
é completo. Por experiência própria o autor conhece dezenas de colônias no
interior, bem como um grande número de vilas onde encontrou descendentes dos
nossos imigrantes que preservam a sua consciência étnica ou que cultivam alguns
costumes poloneses.
É de se
esperar que a comunidade polônica no Brasil por longo tempo vai demonstrar a
sua atividade étnica. Graças ao papa João Paulo II, ocorreu um renascimento
dessa consciência étnica. Em muitos lugares do Brasili observou-se um despertar
do espírito polonês. O movimento polônico concentrado no Braspol procura manter
os costumes, as tradições trazidas pelos nossos imigrantes da Polônia. É
preciso que se demonstre um grande respeito a todos aqueles que stão
contribuindo para inserir no mosaico étnico brasilieor a presença polonesa e as
suas variadas manifestações.
FONTES:
Arquivo
Nacional [Rio de Janeiro], rubr. PH 49, Registro
de estrangeiros 1823-1839, Rio de Janeiro 1961; Ibidem, rubr. PH 50, Registro de estrangeiros 1831-1839, Rio
de Janeiro 1962; Ibidem, rubr. PG 54, Registro
de estrangeiros 1840-1842, Rio de Janeiro 1964; Arquivo do pe. Zdzislaw Malczewski SChr [Curitiba]; Arquivo de Romão
Skowronski [Rio de Janeiro], Szkoły
i towarzystwa polskie według danych statystycznych za r. 1937; Ibidem.
S. Błaszczyk. Sprawozdanie z
podróży służbowej na kolonie Towarzystwa Kolonizacyjnego w
stanie Espírito Santo, odbytej od 11-22 I 1939 r., Ibidem. Pismo Konsulatu Generalnego w Kurytybie.
Analiza obecnych stosunkw i warunkw ycia organizacyjnego wychodźstwa
polskiego na tle nacjonalizacji w Brazylii, zał. Do nr
3-Br/18.SG/DR, p. 2-8; Basiński E. Polonia
solidarna z Macierzą, Warszawa 1971; Breowicz W. Ślady Piasta pod Piniorami, Warszawa 1961; Vianna H. História do Brasil, São Paulo 1962;
Caldas Brandão A. Legislação de
estrangeiros, Rio de Janeiro 1950; Chełmicki Z. Z Brazylii. Notatki z podróży, Warszawa 1892; Ciuruś E. Polacy
w Brazylii, Lublin 1977; CNBB. Boletim Notícias, 1450 (1998);
Diretório da liturgia e da organização da Igreja no Brasil, Brasília
2006; Dobosiewicz Z.; Rómmel W. Polonia w Ameryce Łacińskiej,
Lublin 1977; Dzieje Polonii w Ameryce Łacińskiej, red. M. Kula, Wrocław 1983; Emigracja polska w
Brazylii. 100 lat osadnictwa, Warszawa 1971; Encyklopedia polskiej
emigracji i Polonii, vol. I, red. K. Dopierała, Toruń 2003;
Governo do Estado do Paraná. Calendário oficial de eventos turísticos do
Paraná 2001, [Curitiba] 2000; Gazeta do Povo (Curitiba), 28.03.2001,
p. 18; Glemp J., card. Kościół
i Polonia, Poznań-Warszawa 1986; Głuchowski K. Wśród
pionierów polskich na antypodach, Warszawa 1927; Idem. Materiały do
problemu osadnictwa polskiego w Brazylii, Warszawa 1927; Grande
Enciclopédia Delta Larousse, Rio de Janeiro 1971; Groniowski K. Polska
emigracja zarobkowa w Brazylii: 1871-1914, Wrocław 1972; Hempel A. Polacy
w Brazylii, Lwów 1894; Jednodniówka Unii Kulturalnej Polaków w Brazylii,
s/data; Karłowski J. Polska kolonia Monte Claro. In: Lud
(Curitiba), 14.07.1954; Karłowski J. Kolonia Orzeł Biały. In:
idem; Kawka M. Polska obecność w Brazylii. In: Relacje Polska –
Brazylia. Historia i współczesność, red. A. Dembicz, M.
Kula, Warszawa 1996; Klarnet I. Emigracja z Królestwa Polskiego do Brazylii
w latach 1890-1914, Warszawa 1975; Klarner-Kosińska I. Polonia w São
Paulo In: Dzieje Polonii w Ameryce Łacińskiej, red. M. Kula, Wrocław 1983, p. 315,
336-357; Kołodziej B. pe. Towarzystwo Chrystusowe w Ameryce
Południowej 1958-1988, Curitiba 1988; Kowalik J. Czasopiśmiennictwo.
In: Literatura polska na obczyźnie 1940-1960, red. T. Terlecki,
vol. 2, London 1965; Krawczyk J. Ochotnicy z Rio, Warszawa 1988; Krul T.
Po powrocie z Polski, z papugą w świat, Curitiba 1993; Kubina
T. bispo. Wśród polskiego wychodźstwa w Ameryce Południowej,
Potulice 1938; Kula M. Polonia brazylijska, Warszawa 1981; Idem. Polska
diaspora w Brazylii. In: Polska diaspora, red. A. Walaszek, Kraków 2001;
Kurier [Curitiba], abril de 2000; Lud [Curitiba], 08.07.1980;
15.07.1980; 22.07.1980; 21.02.1980; 21.02.1984; 28.02.1984; 13.03.1984;
20.03.1984; 16-31.12.1994; 1-15/16-28.02.1994; Malczewski Z. SChr. Obecność
Polaków w Rio de Janeiro, Lublin 1995; Idem. II Kongres Polonii Ameryki
Łacińskiej 13-16 marca 1996 r.
In: Duszpasterz Polski Zagranicą (Roma), 3 (1996), p. 359-362;
Idem. W służbie Kościoła i Polonii. Towarzystwo
Chrystusowe: Funkcje społeczne i duszpasterskie w środowisku
polonijnym w Ameryce Łacińskiej, Warszawa 1998; Idem. Słownik
biograficzny Polonii brazylijskiej, Warszawa 2000; Idem. W trosce nie
tylko o rodaków. Misjonarze
polscy w Brazylii,
Curitiba 2001; Malinowski M. Ruch polonijny w Argentynie i Brazylii w latach
1989-2000, Warszawa 2005; Membros da Conferência Nacional dos Bispos do
Brasil, Brasília 1997; Nova Enciclopédia Barsa, Datapédia, Rio de
Janeiro-São Paulo 1997; Ostoja Roguski B. Um século de colonização polonesa no
Paraná. In: Boletim do Instituto Histórico Geográfico e Etnográfico
Paranaense, 28 (1976); Paradowska M. Podróżnicy i emigranci. Szkice z dziejów polskiego wychodźstwa w Ameryce
Południowej, Warszawa 1984; Idem. Wkład
Polaków w rozwój cywilizacyjno-kulturalny w Ameryce Południowej,
Warszawa 1992; Pitoń J., pe. Najstarsze Towarzystwa w Kurytybie. In: Kalendarz
Ludu, Curitiba 1971, p. 137-141; Idem. Mapa ludności polskiej w
Brazylii. In: Kalendarz Ludu, Curitiba 1972; Idem. U źródeł
emigracji polskiej w Brazylii. In: Kalendarz Ludu, Curitiba 1973;
Płużański E. Historia organizacji polskich w Rio de Janeiro. In:
Wojnar J. Polacy w Rio de Janeiro. Zbiór materiałów historyczno-informacyjnych
z okazji Powszechnej Wystawy Krajowej w r. 1929 w Poznaniu, Rio de Janeiro
1929; Porto A. O trabalho alemão no Rio Grande do Sul, Porto Alegre
1934; Posadzy I. pe. Drogą
Pielgrzymów, Poznań 1985;
Pyzik E. Los polacos en la República Argentina y América del Sur desde el
ano 1812, Buenos Aires 1966; Siemiradzki J. Szlakiem wychodźców,
Warszawa 1900; Síntese histórica da colonização polonesa no Brasil. In: Álbum
comemorativo da exposição – feira interestadual de Curitiba 1933-1934;
Smolana K. Za ocean po lepsze życie. In: Dzieje Polonii w Ameryce Łacińskiej, red. M. Kula,
Wrocław 1983; Stenwicz L. Brazylia i Argentyna. Garść
informacji o krajach, w których żyja Polacy, London 1946; Sylwetki
polskie w Ameryce Łacińskiej w XIX i XX wieku, red. E. S.
Urbanski, vol. 1-2, Stevens Point 1991-1992; Todos os pronunciamentos do
papa no Brasil, São Paulo 1980; Wachowicz R. C. & Malczewski Z. Perfis
polônicos no Brasil, Curitiba 2000; Wielka Encyklopedia PWN, vol. 4,
Warszawa 2001; Wojnar J. Udział Polaków w podróżnictwie brazylijskim.
In: Polacy w Rio de Janeiro. Zbiór materiałów
historyczno-informacyjnych z okazji Powszechnej Wystawy Krajowej w r. 1929 w
Poznaniu, Rio de Janeiro 1929; Zając J. pe. Liczba Polaków w Brazylii.
In: Kalendarz Ludu, Curitiba 1971; Zmagania polonijne w Brazylii,
vol. 2, Pamiętniki brazylijskie, red. T. Dworecki, Warszawa 1987; żabko-Potopowicz B. Osadnictwo
polskie w Brazylii, Warszawa 1936.