A nomeação de mais um bispo de raízes polonesas contradiz certa imagem estratificada sobre a colônia polonesa no Brasil


 

 

Zdzisław MALCZEWSKI SChr

O pe. Rafael Biernaski torna-se mais um bispo descendente de imigrantes poloneses no Brasil. No dia 10 de fevereiro de 2010 ele foi nomeado pelo papa Bento XVI bispo auxiliar da arquidiocese de Curitiba. Com isso o Santo Padre atendeu a um pedido do arcebispo Dom Moacyr José Vitti, que estava solicitando mais um (o terceiro) bispo auxiliar para a arquidiocese de Curitiba, que conta mais de 2 milhões de habitantes. 

 

O novo bispo nasceu no dia 10 de novembro de 1955 em Curitiba. Em 1968 ingressou no Seminário Menor Arquidiocesano S. José. Em 1975 iniciou os estudos no Seminário Maior Arquidiocesano Rainha dos Apóstolos. Estudou filosofia na Pontifícia Universidade Católica e teologia no Studium Theologicum, em Curitiba. No dia 13 de dezembro de 1981 foi ordenado sacerdote na sua cidade natal, Curitiba. 

 

Como sacerdote diocesano, participou da organização sacerdotal de Schoenstatt, foi substituto do coordenador arquidiocesano de liturgia, diretor espiritual no Seminário Menor S. José e professor durante um curso para educadores seminarísticos no México.

 

A seguir foi encaminhado a Roma, onde estudou na Pontifícia Universidade Gregoriana. Em 2007 concluiu o doutorado em teologia dogmática.

 

Nos últimos anos trabalhou na Congregação dos Bispos, no Vaticano, onde num dos departamentos exerceu a função de presidente. 

 

 

Neste ponto vale a pena lembrar que atualmente, na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) encontramos cinco bispos poloneses: o bispo Dom Agostinho Jenuszewicz OFMConv (ordinário emérito da diocese de Luziânia, no estado de Goiás), nomeado bispo pelo papa João Paulo II no dia 29 de março de 1989; Dom Ceslau Stanula CSsR, ordinário da diocese de Itabuna, no estado da Bahia, nomeado bispo pelo papa João Paulo II no dia 23 de agosto de 1989; Dom João Wilk OFMConv, ordinário da diocese de Anápolis, no estado de Goiás, nomeado bispo pelo papa João Paulo II no dia 28 de janeiro de 1998; Dom Eduardo Zielski, ordinário da diocese de Campo Maior, no estado do Piauí, nomeado bispo pelo papa João Paulo II no dia 2 de fevereiro de 2000; Dom Romualdo Matias Kujawski, ordinário da diocese de Porto Nacional, no estado de Tocantins, nomeado bispo pelo papa Bento XVI no dia 2 de julho de 2008.

 

Por sua vez os bispos de origem polonesa são quatro: Dom Domingos Gabriel Wisniewski CM, ordinário emérito da diocese de Apucarana, no estado do Paraná, sagrado bispo no dia 28 de agosto de 1975 em Curitiba; Dom Izidoro Kosinski CM, ordinário emérito da diocese de Três Lagoas, no estado do Mato Grosso do Sul, sagrado bispo no dia 24 de julho de 1981 em Curitiba; Dom Ladislau Biernaski CM, ordinário da diocese de São José dos Pinhais, nos arredores de Curitiba, estado do Paraná, sagrado bispo no dia 27 de maio de 1979 em Roma; Dom Sérgio Krzywy, ordinário da diocese de Araçatuba, no estado de São Paulo, nomeado bispo no dia 26 de maio de 2004 pelo papa João Paulo II. 

 

É preciso ainda mencionar três bispos falecidos. Um deles foi polonês, a saber, Dom Inácio Krauze CM, que trabalhou como missionário na China. Em 1933 tornou-se prefeito apostólico em Shunteh. Em 1944 o papa Pio XII elevou essa prefeitura apostólica à dignidade de vicariato apostólico. No dia 23 de abril de 1944 o pe. Inácio Krauze foi sagrado bispo em Shunteh. Depois que a China foi dominada pelos comunistas, Dom Krauze foi julgado e a seguir expulso do país. Chegou aos Estados Unidos, onde trabalhou nos anos 1949-1952. A seguir mudou-se para o Brasil, onde exerceu o ministério na organização de novas dioceses. Faleceu no dia 31 de agosto de 1984 em Araucária, nas proximidades de Curitiba.

 

O segundo desses bispos já falecidos foi Dom Pedro Filipak. Nomeado pelo papa João XXIII ordinário da diocese de Jacarezinho, no estado do Paraná, foi sagrado bispo no dia 13 de maio de 1982. Exerceu o seu ministério nessa diocese até o dia 13 de agosto de 1991, ou seja, até o momento da sua morte. 

 

O terceiro deles também tinha raízes polonesas: Dom Walmor Battú Wichrowski. No dia 25 de maio de 1958 foi sagrado bispo em Santa Maria, no estado do Rio Grande do Sul. Exerceu o seu ministério em várias dioceses. Faleceu no dia 31 de outubro de 2001 em Porto Alegre, capital do estado do Rio Grande do Sul.

 

 

O recém-nomeado bispo Dom Rafael Biernaski é, portanto, o décimo bispo de raízes polonesas na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), sem levar em conta os três falecidos acima mencionados.   

 

 

Com relação a essa nomeação episcopal, gostaria de finalmente fazer uma pequena digressão a respeito do Relatório da situação das colônias polonesas e dos poloneses no exterior em 2009, apresentado em dezembro do ano passado pelo Ministério das Relações Exteriores da Polônia.  Na página 72 desse relatório encontra-se a afirmação: “A colônia polonesa no Brasil não constitui uma efetiva força social, econômica ou política”. Gostaria de chamar a atenção para o fato de que a sociedade brasileira conta cerca de 200 milhões de habitantes. E a coletividade polônica no país é estimada em cerca de 2 milhões de pessoas. A colônia polonesa no Brasil representa, portanto, 1% da sociedade brasileira. E aqui forneço um exemplo concreto, justamente levando em conta os bispos. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) conta mais de 450 bispos. Os bispos de raízes polonesas, incluindo o bispo recentemente nomeado são dez! Estatisticamente, um por cento da colônia polonesa no país deveria resultar em cerca de cinco bispos. Dessa forma, na Igreja Católica do Brasil, que goza de uma grande autoridade junto à sociedade local, a colônia polonesa representa afinal uma grande força. Ultrapassou, no caso dos bispos, em cem por cento o número estatístico esperado...

 

Aos poucos, com o correr do tempo, vou me empenhar por demonstrar concretamente que afinal a colônia polonesa no Brasil significa alguma coisa! Apenas peço que no país das margens do Vístula alguém não me acuse de complexo. Já várias vezes, por ocasião de discussões na Polônia a respeito da colônia polonesa no Brasil, quando me coube promover a defesa de fatos concretos da vida do nosso grupo étnico no Brasil, não era incomum eu receber a resposta de que eu estava sendo possuído de um complexo! Mas, afinal, por que esse complexo? Os fatos falam por si... e é preciso aceitá-los! Busquemos conjuntamente a verdade a respeito dos nossos compatriotas que vivem fora da Polônia! Os bordões às vezes publicados a esse respeito são dolorosos... 

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